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INVERNO 2018

Por Sylvia Farias.
A previsão climatológica sazonal para Goiânia durante a estação seca tende a ausência de precipitação, diminuição significativa de nebulosidade, temperatura média do ar pouco acima da normal climatológica e umidade relativa do ar, abaixo da normal climatológica, permanecendo até o início da estação chuvosa em setembro.

ANÁLISE CLIMÁTICA PARA GOIÂNIA– INVERNO 2018

 

O solstício de inverno, com início no dia 21 de junho às 7h07 (horário de Brasília) marca o início do inverno no hemisfério sul, culminando com a noite mais longa do ano (Figura 1). O inverno austral deste ano terá a duração de 93,66 dias. O fim da estação está previsto para as 22h53 do dia 22 de setembro, com o início do equinócio da primavera. Na medida em que o movimento de rotação da Terra avança para o equinócio, o aumento gradual das horas de sol tende a influenciar, ora inibindo ora potencializando, a atividade convectiva na atmosfera sobre o Brasil central.

 

 
 Figura 1 - Animação do disco terrestre celebrando o solstício de inverno. Fonte: GOES/NOAA

 

Sobre o Brasil Central, o trimestre JJA (junho-julho-agosto) será regido sob as condições de um possível El niño devido ao início do aquecimento da temperatura da superfície do mar do Pacífico equatorial. Climatologicamente, JJA é caracterizada pela menor quantidade de energia solar disponível na atmosfera o que favorece a incursão da massa de ar polar sobre a região, inibindo a influencia do ar quente e úmido da Amazônia, diminuindo significativamente a precipitação (Figura 2), onde o total acumulado no trimestre é menor que 25,0 mm (Inmet). Contudo, o mês de junho climatologicamente ainda é marcado por temperaturas elevadas, devido à atuação do anticiclone do Atlântico que influencia a circulação atmosférica, inibindo a formação de nuvens e bloqueando a entrada de frentes frias. Tal situação persiste ate a primeira quinzena de Julho. A partir de julho a entrada com maior frequência de massas de ar frio, potencializam a diminuição da temperatura do ar, com mínimas podendo variar entre 10,0 oC a 14,0oC. A umidade relativa do ar tende a baixar gradativamente até agosto. Como consequência, dessa variabilidade sazonal, é recorrente o aumento de focos de queimadas e do percentual de partículas dispersas no ar, favorecendo o desconforto térmico e as doenças virais que acometem a população. Estas condições climatológicas tendem a permanecer a até a terceira quinzena de setembro quando as condições climatológicas da atmosfera sobre o Brasil central tendem a mudar devido ao início do período chuvoso.

 

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Figura 2 - Características da climatologia da circulação sazonal atmosférica (1982 - 2012) para o inverno. Os vetores (tamanho equivalente a 5.0m.s-1) representam a direção e a velocidade do vento a 850 mb (~1.450 m). As linhas coloridas representam a circulação em 250 mb (~10.400 m). Fonte de dados do ECMWF

 

Não existe um consenso sobre a previsão climática para o trimestre JJA de 2018, para a região centro-oeste e em particular Goiás, devido à baixa previsibilidade climática, segundo as análises do INMET e CPTEC. Baseando-se na climatologia ressalta-se que o trimestre JJA até a segunda quinzena de setembro marcam o período seco na região. Embora não exista um consenso, existe a probabilidade significativa de que as chuvas ocorram dentro ou abaixo da normal climatológica na região e que totalizem não mais, que 30,0mm. E que estas chuvas ocorram espaçadamente e localizadas. A umidade relativa do ar (UR) tenderá a diminuir significativamente até o final de agosto. Durante este período, podem ocorrer dias com UR abaixo dos 30%, ou apresentar mínimo em horário mais quente, menor que 20%. A temperatura média do ar tendem a ficar acima da normal climatológica (28,0oC) com tendência a alternar dias mais frios ou mais quentes, dependendo da incursão de sistemas frontais.

A variabilidade climatológica sazonal para Goiânia durante a estação seca é caracterizada pela ausência de precipitação e nebulosidade, diminuição da temperatura média e da umidade relativa do ar, permanecendo até o início da estação chuvosa em setembro, como pode ser observada na Figura 3. Nesta figura estão representadas as normais climatológicas para precipitação (CLM_P), temperatura (CLM_T) e umidade relativa (CLM_UR) do ar referente aos anos de 1981 a 2010 para a estação convencional de Goiânia. Estas normais são comparadas as respectivas variáveis observadas para o ano de 2017 para a estação localizada no centro de Goiânia (CG2017_x) e no campus samambaia da UFG (CS2017_x). Tal variabilidade pode ser explicada, devido ao centro de Goiânia (CS) ser mais quente e mais seco em relação ao campus Samambaia (CS), em decorrência da densa urbanização, impermeabilidade do solo e baixa taxa de arborização, favorecendo o armazenamento de mais calor e a diminuição da evapotranspiração.

Em decorrência da variabilidade climática e das previsões sazonais para o centro-oeste, espera-se que especificamente para Goiânia, considerando-se as duas estações, do centro da cidade (CG) e do campus samambaia (CS) que a precipitação se por ventura ocorrer, fique abaixo da normal climatológica; Que a temperatura média do ar, tenda a ficar próximo ou pouco superior que as temperaturas médias de 2017 e, que a umidade relativa do ar tenda a ficar abaixo dos valores observados no período correspondente (Figura 3).

 

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Figura 3 – Variabilidade climatológica (CLM) sazonal do inverno para Precipitação (P - mm), Temperatura (T - oC) e Umidade relativa (UR - %) do ar para a estação convencional localizada no centro de Goiânia - CG (no 83423; Lat.: -16.666667o; Lon.: -49.25o; Alt.: 741.48m) e estação localizada no Campus Samambaia/UFG - CS (Lat.: -16° 41"; Lon.: - 49° 17"; Alt.:741.0 m) referente a normal climatológica (1981 - 2010) e ao ano de 2017.

 

Julho e agosto são caracterizados por temperaturas do ar mais amenas e baixa umidade relativa do ar (Figura 3), resultado da regularidade da incursão de massas de ar polar. Contudo, alguns dias durante este período, podem apresentar grande amplitude térmica. A amplitude térmica ocorre devido a grande perda radiativa em decorrência de noites de céu limpo, tornando as madrugadas e início de manhãs frias e tardes aquecidas. Tal situação ocorreu na primeira semana de julho de 2017, resultando em temperaturas mínimas do ar, durante a madrugada e início da manhã, de 9,7oC (setor aeroporto) e de 12,8oC no centro da capital (CG) em 04 de julho. As mínimas voltaram a cair para 12,4oC em 10 de julho, segundo informações do INMET.

 

Dúvidas, esclarecimentos e sugestões: Met. Sylvia Farias 

 

Fonte : Laboratório de Climatologia

Categorias : análise climática Inverno Goiânia

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